sopra quente.
a jornada vai longa e pesarosa.
lá fora, algures, mimetiza-se com o vento o petiz que se dobra
junto ao monte.
cai-lhe um suor.
ou seria uma lágrima? só ele sabe.
zumbam as abelhas, crestam-se as ervas daqui a nada palhas. é o que eu ouço a partir dos meus olhos nessa imagem.
pesa-me a alma numa dor magra.
não tenho espaço para prostrar os braços, deixar cair o sorriso e a pasta de educação.
sopra quente.
não é uma morna brisa de primavera que nos enleva um sorriso.
é um sopro doentio, abafado, surdo.
queima a pele, seca o brilho, fenda.
é sal na terra, uma
erosão lenta. nada brota.
este sopro quente que bate em mim há tantos anos, criou um deserto, esculpiu uma escarpa, abriu um fosso.
A barriga do dragão tem um mar revolto de ansiedade, de desejos, de sobressaltos, de emoções,
de uma força contida.
um vai e vem de atitudes procrastinatórias.
o dragão arrasta um fogo que não solta.