sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Cumprir promessas

Como o pagador de promessas, aqui estou eu. Prometi escrever e não o fiz nesse momento. Faço-o, porque gosto de cumprir promessas e porque tenho muito para escrever, mesmo que nada para dizer. Vicio? Ou a eterna vontade de me ligar aos outros?

demsiado

A força com que desfaço as carcaças e ajudo à superação de cada talhante, como guio a sua mão trémula para a melhoria, não me surge quando dela necessito.
Para mim não sou forte, nem tenho sabedoria. Não me guio nem me ensino. E não me supero.
Afundo-me na lama que se acumula debaixo dos meus pés.
Dou passos lentos e pesados, até essa lama secar e ter a (pequena) capacidade de me libertar do que se transformou em pó.
Volto a caminhar com igual firmeza, mas no entanto, um pouco de mim ficou naquele pó, e guardo, junto com os meus cutelo, todas as fraquezas que tenho.
É demasiado sentir.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Mais uns que racharam

Tal como já tinha dito aqui, quando os pés de barro das personagemzinhas racham, demonstram que afinal só traziam fumo na sua pretensão e nas afamadas feitorias.
Aguardei pacientemente para ver rachar mais uns. E vejo agora o choro falso de quem tem de manter a figura.
Porque não há verdade nas pessoas? Porque não encontramos amiúde, pessoas de verdade? Porque não se assume a nossa verdadeira dimensão?
Também me escondo nesta cozinha, dirão os meus escassos leitores, mas por contrariar a vaidade dos meus feitos.É também assim que a Humanidade me encanta, pelos seus mistérios.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Ir. Simplesmente.


Sempre em corrida elegante pelos dias que se apresentam, vou no meu majestoso cavalo chamado Orgulho. Não soberba, desenganem-se, mas Orgulho de não cair.
Os que atiram contra mim que aguentem.

Agenda inútil

Tenho na agenda fazer tantas coisas. Acabo por não conseguir, mas entre grelhados e frituras, a minha mente deambula em outras tantas coisas.
Acho que nasci com um problema grave: imaginação em demasia.
Não que viva noutro mundo ou longe da realidade, mas creio sempre que tenho mais possibilidades para dissecar.

Por isso de nada me adianta uma agenda ou um menu para seguir. nem uma lista de compras. Sou a indisciplina em pessoa.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

um minuto

Por cada minuto vivido, houve tantos outros expirados. Num segundo, o mais audaz do meu ser foi tomado como a terrível vivência de não ser mortal. O facto de ser um ser pouco comum, deixou um rasto avassalador na minha consciência, dito em palavras frias e ternas.
A admirável diferença era, então, o que me acercava do abismo. Aquele abismo onde, ao olharmos para trás, percebemos que estamos sós. Uma clausura vítrea onde olhamos o exterior sem sermos alcançados.
Eternamente neste devir de inquietude que nos impõem, explicamos o nosso estar e, num cansaço limítrofe damos o ultimo e sôfrego suspiro de alento. Como um grito de socorro e ao mesmo tempo de auxilio. Porque nunca, nem por um momento, deixamos de servir.
E nesse devir paradoxal, ficamos manietados pela quietude do desprezo e da distancia.
assim percebemos que não fomos ninguém, porque não somos mortais.

Nós, os diferentes.

Alguém compreenderá? Quem compreende, admira. Quem admira, recusa.
Sempre só e errante vai a diferença.
E a diferença reside no sempre acreditar, e alimenta-se na persistência. Acredito ainda que há um minuto, em que o desejar é tão forte, que todo o universo roda noutra direcção. Algo ficará para trás, algo se perderá, e haverá sempre um sabor que não sucumbiu ao paladar.
Haverá sempre um desejo por realizar. Esse fugaz equilíbrio salva-nos da insanidade.

Por cada minuto vivido, houve tantos outros expirados.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

toca e foge

O conceito toca e foge, foi algo que apareceu numa bancada das minhas cozinhas.

Há já algum tempo, estava a gritar aos aprendizes pela sua total inoperância que me enlouquecia. Ouvia o crepitar das brasas no grelhador e o som metálico da faca na bancada de inox, porém os clientes reclamavam ruidosamente as suas refeições que tardavam em aparecer. Chovia lá fora como torrentes jugulares e a cozinha escurecia após cada relâmpago.

Nada corria conforme a ordem militar e precisa impunha,aquela ordem imposta por treinos que traduz cada movimento numa precisa necessidade para a seguinte e por fim traduz-se em resultados a manifestarem-se em segundos previstos no primeiro movimento. É assim que uma cozinha deve ser.
Estávamos perante uma total desordem. Estava capaz de matar os incapazes que balbuciavam movimentos inúteis naquela pressa imposta pela pressão dos camareiros que faziam rodopiar as portas giratórias! Os pedidos esvoaçavam cada vez que o maitrê batia energicamente na banca reclamando os seus ossos bucos ou a dourada em crosta de amêndoa. Nada funcionava.

Sabiam que poucas coisas me tiravam do eixo dominador, mas a ruína e o fracasso era uma conjugação que me faziam reagir.

Agarrei vários pelos braços, e sacudi-os com a força do meu corpulento e furioso estar. Coloquei-os em cena e repeti-lhes num tom grave que iriam padecer de cortes ferozes se em dois segundos não estivessem os pratos na banca do maitrê.

No entanto percebi algum tempo depois, e quando o número de papéis deixava de acumular-se na bancada, que um dos pouco profundos entes, corria e trazia pequenos alimentos à cozinha. Quando lhe perguntei o que era aquele passeio disse-me "estou a trabalhar!". Na verdade, parecia. Mas na verdade, não era. Aparecia, mostrava-se e quando chegava a hora da verdade fugia.

Tal como as mulheres que seduzem e não consumam, que tocam mas não acariciam, toda esta atitude é nauseabunda. É revestir-se de uma verdade que não se assume. querem ser castas vestidas na pele do lobo.

terça-feira, 13 de julho de 2010

parece-me que...

Parece que tenho de voltar a narrar histórias da minha cozinha. Há coisas que não sei contar de outra forma.

telha

estou de "telha", que é como quem me diz "estás com a mosca", ou como se diz ao pequeninos "com uma birra".
Depois de muito me esmerar, organizar e aplicar, tenho tentado infinitamente mas não consigo postar durante o dia. 2 minutos em cada período de trabalho e teria material para partilhar.
não consigo, e não tenho muito tempo ou condições (agora que mudei de casa e tenho uma infinidade de coisas para fazer) para me sentar aqui. Mesmo que o Capitania me mereça muito.

Não é mesmo caso para estar com uma grandiosa telha?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Temos tantos assuntos

Temos tantos assuntos, que depois não temos assuntos nenhuns.
A blogsfera está recheada de repetições.

Mas mesmo assim há muita gente a publicar coisas interessantes, bem escritas, leves, refrescantes.
Há muitos assuntos para partilhar, mesmo quando não têm assunto nenhum.

44˚ C.puffff....

Desfaço com o calor.A minha tensão, não superior à de um passarinho pequeno, não me permite ser exuberante e chego a sofrer. Mesmo assim faz falta na minha vida esta letargia obrigatória. Tenho nostalgia mesmo antes de chegar o fim do verão.

sábado, 3 de julho de 2010

não percebo

Não percebo as pessoas que tem as oportunidades à frente e queixam-se de que elas não lhe batem, não as castigam, não as forçam a agarrá-las.
Não percebo porque essas pessoas se queixam que não querem estar como estão.
Não percebo nem tenho feitio para não as fazer pensar, para não as questionar.
Que ideia tão absurda achar que se vai ser dono do mundo sem se sair do quintal.
Não percebo.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

estiveram 32˚C

"a" frase

Uma palavra sem uma ideia que a sustente, é inútil.
(Raul Moura Mendes in Uma ideia com defeito http://toqueinonada.blogspot.com/ )

quarta-feira, 30 de junho de 2010

para ter uma desculpa

Passei uns dias valentes a ouvir o entusiasmo de ajuntar as grupetas e tribos à volta de uma televisão para ver a bola.
No entanto o entusiasmo e invariavelmente, a quem perguntava por prognósticos, me respondia com um nariz retorcido que não havia grandes certezas de uma vitória.
Ora, sendo assim, de onde vem o discurso de espanto e desilusão quando constatado que afinal a equipa portuguesa perdeu? ...hummm...quer-me parecer que, racionalmente, perdeu-se o alegre motivo de esta azafama para preparar a visualização dos jogos e resumos, e a desculpa para ocupar umas horas em convivio.
Acho que se deve arranjar já uma boa desculpa. antes que se pague...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

não vale de nada fingir. há maldicência encapotada naquele ar singelo e propositadamente misterioso. é uma atracção fatal que tens, mas efemera e cansativa. não te quero nem para amiga.

segunda-feira, 22 de março de 2010

caramba, há quanto tempo!!

Decidi parar. chamaram-me caústico, perigoso, obsceno.
Decidi parar.
Já não farei deste um imenso e inenarrável muro de escrituras atrozes.

Agora, serei mais um blog. Talvez até lhe mude o nome. Já não sou um capitão (alguma vez o terei sido?)

Vou mudar para uma mansão, ali perto das pedras gastas e sujas do entorno histórico desta cidadezeca. Também descobri que as amizades estão em sítios sombrios e estranhos. Também descobri que apesar das tuas ausências me doerem sou perfeitamente auto-suficiente e prefiro estar sozinho que assim não me canso a esperar algo de vós.

pronto. já disse. contentes?!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Pés de barro para grandes empreitadas

Hoje estou num completo bom humor.

A fraqueza é uma qualidade que me inspira curiosidade.

Espreito os comportamentos dos fracos com ávido interesse.
Sempre aprendo.

É maldade pura, eu sei, mas por vezes chego mesmo a criar cenários, para que nos biquinhos dos seus minusculos pés de barro, gritem a coragem e audácia dos seus movimentos.
Depois aguardo quieto que tudo apure, coloco no tempero a minha ansiedade.
(e assisto a isto: o perfume da angústia, da espera, do falhanço anunciado saí por todos os poros destas personagenzinhas. Eu acho graça.)

Normalmente quem envereda por grandes empreitadas, de vista farta, teima em colocar-se em bicos dos pés, falar muito e com pouca consistência (mas com muita convicção) e badalar as diversas plateias os seus feitos ou o que está para ser feito.

Ora o galo que alto canta, enrouquece rápido. E depois - como criou o hábito de berrar - apita aquele ridiculo som de galinha depenada.

Acho graça.
Normalmente o que mais admirámos veio de fracas figuras, timidas, encolhidas e que coram nos elogios. Nas grandes empreitadas vemos barrigudos de bigodes proeminentes, mas que calçam ridiculos pés com pequenos sapatos de verniz. Espero com paciência que o verniz estale, descasque, esfole... e depois com uma falsa simpatia ofereço os melhores elogios à sua fraca condição como forma de humilhação que tem de ser aceite para não demonstrar que reconhece a sua minuspresença.

Acho muita graça.

Racham-se os pés de barro, mas não sustentavam mais que fumo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

nuas em barda

Continuo orgulhosamente só.

...no caminho da minha mente.

Tudo o que renego e desejo controlar, mas não posso ter, estimula-me os músculos e a mente. Entro em escalafrios, calores, palpitações, naúseas.
Nao me consigo controlar. Mas ninguém o sabe.
Disfarço numa impiedade que me traí. Porque mesmo depois de sentir, convenço-me que não é nada epara além de mero acaso do ócio.
Disfarço a erecção por baixo da bata manchada de sangue.

Andam nuas à minha frente, mostrando os seios firmes e as carnes rosadas.
Mais que renscentista, mais que barroco. Quase burlesco.
Nada disso me dilata a pupila.
Interessa-me quem está na penumbra, na palavra não dita.
Quero devassar essas verdades sem perguntar.
Levar ao extase a disforme senhora que só se mostra no nevoeiro.
Possuir.

Na verdade sou um canibal de almas e de segredos.
E aguço-me com a espera, com a preparação do banquete. Testando a minha habilidade de manusear, manipular, maquietar a realidade e montar a armadilha.
Depois do momento não há prazer.É uma verdade absoluta.
Valerá a pena degolar a ave que guarda a jaula? seria mais uma (verdade) nua. e juntaria-se à barda.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Desabafo sobre a demasia

...em demasia me parece a estupidez acumulada num ser com quem tenho de partilhar parte dos meus pacatos mas ferozes dias...

Só registo isto como um desabafo solidário àqueles que tem de tratar com essa espécie em expansão que são os estúpidos. Noutras paragens já testei este modelo, e resulta. é um quase-documento cientifico.

Passo a explicar: na descarga dos camiões de fruta, verduras, carne, peixe ou outros víveres, sou obrigado a cruzar-me e entediar-me em conversas absurdas com um ser de outro restaurante.
O outro restaurante é como se fosse uma segunda secção. O Dono é o mesmo para o qual cozinho.

Tenho de falar e não ignorar, porque mandam as regras de boa cortesia que troquemos trivialidades com os pares de outras secções. Até de restaurantes alheios ao cluster.
Se sou um embestiado que na verdade gracejo umas palavras com os transportadores, tenho de me obrigar a falar com os pares.

O importante ressaltar é que há neste par algo que me revolve as entranhas, e isso deve-se ao facto de ser um ente em que prolifera uma tamanha estupidez e demência que até chego a assombrar. A ignorância que exubera dava para uma boa dezena de mentecaptos. Mas este ilustre carrega sozinho este monumento à estupidez, e espantem-se: faz luxo de a deter.

É um joguete do Dono. Pausadamente devora-lhe a alma ao vesti-lo com um pequeno esterlato de lhe visitar amiúde o seu estabelecimento e isso fá-lo saltitar na sua fraca figura.

Apesar de confeccionar comida fraca, desprovida de imaginação e qualidade, e que com frequência acarreta problemas gastro-intestinais aos clientes e subordinados, o Dono usa-se dele para maquinar a hostilidade dos pares, como eu.
Não que o Dono desprestigie as demais secções apesar de não lhes demonstrar agraciamentos, mas a criatura enlevada em visualizações mais frequentes do Dono, usa um circuito de intrigas e distorções repugnante, recriando intrigas e desentendimentos desprovidos de verdade e base.

Ora, perdera esse poder de incomodar no momento em que lhe agraciei os paladares e menus . Levará a secção à ruína, e essa fama alargar-se-à a todos os restaurantes.

E com palmas e sorrisos, com malabarismos falsos passo mais depressa esses cinco minutos de contacto.

Assim se agraciam os estúpidos, especialmente aqueles que a carregam em demasia.